quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Eutanásia: «É preciso ter coragem para a ajudar a aceitar esta morte», parte I

Axelle Huber, cujo marido morreu com a doença de Charcot, deseja que se faça ouvir outra voz sobre a eutanásia contrária à de Anne Bert, escritora que, sofrendo da mesma doença, decidiu exilar-se na Bélgica para ser eutanasiada.
Professora de história e geografia na Ilha de França e mãe de 4 crianças, Axelle Huber perdeu o seu marido  Léonard, com a doença de Charcot. Esta doença conduz a uma paralisia generalizada. Ela contou a sua luta de quatro anos contra a doença no seu livro " Si je ne peux plus marcher, je courrai!" publicado em  2016 pela editora Mame. Opondo-se à eutanásia, ela pretende responder a Anne Bert, escritora com a mesma doença do seu falecido marido e que anunciou nos media que se iria exilar na Bélgica para  morrer.
Aleteia: Axelle Huber, pediu a Léa Salamé nas redes sociais que fizesse ouvir na sua emissão com  Nicolas Demorand na France inter, «uma outra voz sobre a eutanásia» diferente da de Anne Bert. Qual o objetivo da sua iniciativa? 
Axelle Huber: Anne Bert sofre de esclerose lateral amiotrófica (ELA), mais vulgarmente conhecida por doença de Charcot. Também foi o caso do meu marido Léonard que morreu em  2013 com 41 anos. Esta doença está classificada pela OMS como uma das  doenças mais graves. Anne Bert escreveu um livro e expressou publicamente o seu pedido para ser eutanasiada. Eu gostaria de lhe transmitir toda a minha compaixão. Cada vez que eu tomo conhecimento de um novo caso de ELA, cada vez que eu conheço um paciente  com esta doença  terrível, o meu coração fica apertado. Se soubessem como eu desejo que a medicina encontre uma cura para esta doença neurológica que vos prende num corpo que não responde mais. Anne Bert foi recebida por Léa Salamé na France Inter. 
Eu solicitei,então, nas redes sociais a Léa Salamé ser ouvida também. Com efeito, eu quero partilhar o meu testemunho de todo o desenrolar da doença, da degradação, da agonia e da morte natural do Léonard e expressar a minha opinião sobre uma legalização da eutanásia. Acompanhei o  Léonard durante os quatro anos da sua doença, quando os nossos quatro filhos eram ainda muito novos (o mais velho só tinha nove anos), contei a nossa história no livro, "Si je ne peux plus marcher, je courrai!”, com prefácio de  Philippe Pozzo di Borgo [cuja história foi  popularizada no filme “Intouchables”]. Eu penso que é legítimo fazer ouvir, sem angelismo, esta voz do Léonard que se apagou mas que, eu acredito, me faz eco. A nossa experiência é um caminho diferente do da eutanásia. A minha iniciativa inscreve-se como tal  numa vontade de promover um debate democrático para que todas as opiniões se possam expressar.
Para ler no original veja aqui.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Documentário sobre Eutanásia

Um documentário realizado pela ADFInternacional para dar a conhecer a rampa deslizante da lei da eutanásia nos países que a legalizaram, como a Bélgica e Holanda.
Morrer com Dignidade: qual o papel da lei e dos políticos quando começa a formar a ideia cultural de que todos os valores estão em causa? O gabinete de Bruxelas da ADF International lançou no final do ano passado a campanha “Affirming Dignity”. Consiste num documentários com base em pequenos vídeos.
Conheça testemunhos de cuidadores, médicos, de doentes que falam na primeira pessoa do impacto negativo da eutanásia nestas sociedades. Estar informado é ter capacidade de argumentação para falar sobre este tema. Veja o video com legendagem em português.


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Como acompanhar uma pessoa que sabe que vai morrer

Conhecemos uma pessoa que está em fase terminal de uma doença; ela sabe que vai morrer; interrogamo-nos como agir com essa pessoa.
Não é uma situação fácil, e ao mesmo tempo, é uma situação que faz parte da vida. A melhor atitude a adoptar com essa pessoa, é a de nos mantermos naturais. De continuar a estar ao seu lado, tal como estávamos anteriormente.
Claro que o seu estado de saúde e de fragilidade actual, e o facto de a sua vida estar contada devem nos levar a ter uma atenção mais especial e uma presença sem dúvida mais activa do que a que tínhamos quando essa pessoa estava de boa saúde. Este é, efectivamente, o momento de viver momentos preciosos. Sabemos que essa pessoa não se vai curar e que o fim da sua vida está próximo. Isso não vos dá o dia, nem a hora mas é um convite a viver plenamente o tempo que lhe resta. Podem ainda fazer muitas coisas por essa pessoa:
  • Estar presentes ao seu lado para lhe mostrar o vosso carinho, sem estar necessariamente presentes em permanência.
  • Estar vigilantes em relação ao hospital, para que ela possa ser bem
  • cuidada: poderá por exemplo ela beneficiar de cuidados paliativos?
  • Estar disponíveis para lhe prestar pequenos cuidados de conforto
(ajustar uma almofada, dar-lhe um copo de água,…), para partilhar problemas graves (perguntar-lhe se ela quer partilhar as suas ideias connosco e como podemos ajudá-la, propor-lhe tratar de papéis, agradecer-lhe,…), para estar em silêncio, para lhe levar notícias do exterior, até dizer piadas (rir faz bem), para lhe permitir realizar projectos (escrever uma carta, reconectar com alguém, sair do seu quarto se isso for possível, ver um filme,…).
Em resumo, existem coisas que podem viver em conjunto, e também cada um do seu lado. Quando não estiverem à sua cabeceira, assegurem que estão presentes em pensamento, e que estão disponíveis por telefone. Para lhe demonstrarem que não a esquecem quando não estão presentes
ao seu lado. E para lhe deixar também um espaço de liberdade, de intimidade e de repouso.Existe um equilíbrio que tem de ser encontrado na vossa presença no hospital, que ela pode compreender enquanto adulta.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Estados-Unidos: 15 Estados recusaram a legalização do suicídio assistido

Desde Janeiro de 2017, que quinze Estados dos vinte e sete nos Estados Unidos rejeitaram as propostas de lei que autorizariam que um médico assistisse um paciente no seu suicídio. Estes Estados são o Alaska, o Arizona, o Connecticut, oHawai (ver Boletim IEB), o Indiana, o Iowa, o Kansas, o Maine, o Maryland, o Mississippi, o Missouri, o Novo-México, o Tennessee, o Utah e o Wyoming. Nos outros Estados, como o Dakota do Sul, o assunto ainda está a ser amplamente debatido. Se de hoje a Novembro de 2017, a Secretaria de Estado receber 14.000 assinaturas válidas a favor dessa legalização, será realizado um referendo em Novembro de 2018. Por enquanto, o Senado opôs-se firmemente à legalização do suicídio assistido, a 8 de Fevereiro de 2017. A sua decisão foi seguida pela Câmara dos Representantes, a 13 de Fevereiro. O Senado condena, com efeito, esta prática devido à grande importância que atribui à dignidade de qualquer vida humana, e defende, em particular, a dignidade das pessoas portadoras de uma doença em fase terminal, pessoas idosas, depressivas ou com qualquer tipo de problema médico.
O Senado afirma que cada vida tem o mesmo valor e recusa autorizar o suicídio assistido, porta de entrada para muitos abusos e para a eutanásia. Além disso, estes parlamentares denunciam o  carácter subversivo deste ato relativamente ao papel de médico que é antes de tudo de cuidar e acompanhar. Eles receiam também pela qualidade da relação «médico-paciente» e encorajam finalmente a colocar todos os esforços do Estado no desenvolvimento dos diagnósticos, tratamentos e cuidados paliativos oferecidos aos pacientes que sofram de uma doença psiquiátrica. 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Setembro, a aurora de uma vida com sentido, por Sofia Guedes

Setembro, o mês das vindimas, da recolha do fruto que se irá transformar em vinho, um produto que tanto nos tem honrando, que é sinónimo de alegria, e que desde há muitos anos coloca Portugal em evidência no mapa do mundo.
Setembro é também o mês do balanço que permite voltar ao trabalho já com as contas feitas e fazer planos para a vida que irá recomeçar, depois dum descanso merecido. O movimento cívico STOP eutanásia não podia ficar de fora. Depois de um ano de trabalho incansável, de se ter tornado visível na arena política, na sociedade civil e na esfera internacional, muito há a dizer deste movimento que nasceu em Portugal, mas que tem como padrinhos a França e a Bélgica. Recentemente, participámos na Universidade de Verão da Alliance Vita que nos deu uma grande perspectiva de defesa da vida e como vale a pena lutar pela dignidade da vida humana.
Por isso, recomeçamos com muita alegria este trabalho pela defesa dos mais frágeis, dos que não tem voz.
Resumindo a ainda pequena história do STOP eutanásia, podemos dizer que hoje contamos com cerca de 20 especialistas das áreas da saúde, do Direito, da filosofia, da psicologia, de acompanhamento espiritual e de 400 pessoas que tendo assistido as nossas conferências e sessões de esclarecimento estão prontas a ir para o combate pela defesa da dignidade da pessoa humana. Um combate que assenta na Paz e na busca da Verdade.
Um pouco da nossa história que começou em Julho de 2016:
. Convidamos especialistas estrangeiros para nos esclarecerem sobre a realidade da lei da eutanásia na Europa, sobretudo na Bélgica e Holanda e as suas terríveis consequências. Quisemos também saber como se combate com profissionalismo, como é o caso da França.
. Criamos um blog com a intenção de formar e informar, esclarecer e testemunhar tudo o que tem
a ver com o tema da eutanásia .
. Participamos na Université de la Vie, uma iniciativa da Alliance Vita França, na área da
biopolítica e bioética.
. Organizamos sessões de formação em diversas cidades e vilas do país.
. Contactamos e conversamos com jornalistas.
. Participamos em manifestações públicas com apelo aos políticos.
. Entramos em debates. Ouvimos com atenção os que não pensam como nós, sem os considerar
inimigos.
. Fomos porta voz dos juristas que têm no Direito o seu porto seguro na defesa dos mais frágeis,
ao entregar uma carta dirigida a todos os deputados da AR.
. Fomos recebidos por todos os grupos parlamentares.
. Ouvimos médicos que tem como principal e único, o juramento de Hipócrates.
. Aprendemos com filósofos a reflectir o verdadeiro sentido da vida humana.
. Convidamos pessoas doentes para darem o seu testemunho sobre a experiência de estar
hospitalizado, a sua relação com os cuidadores e que conselhos podem dar para ajudar a
humanizar a sociedade.
. Lançamos os folhetos  "10 razões Porque dizer Não a eutanásia" e " 10 Ideias  Solidárias".
. Fomos oradores num grande encontro internacional com o tema: “ A Arma da Paz, para um novo compromisso na defesa da vida humana”.
Tudo isto porquê?
Porque nascemos com uma vocação muito própria e um desejo profundo de procurar caminhos de entendimento, de busca da verdade sobre o homem, de uma nova ecologia humana e de nunca ver no outro um inimigo a abater, mas alguém que por ser ao mesmo tempo grande e frágil procura desesperadamente formas de atenuar o sofrimento.
Nascemos, caímos, levantamo-nos, cansamo-nos, alegramo-nos, e por tudo isso sentimo-nos fortes e capazes de ir em frente. Queremos ir mais longe, formar mais pessoas, alertar e acordar todos para que acreditem que a vida também está nas nossas mãos, não para matar, mas para cuidar e aliviar. Desejamos usar e provocar a nossa inteligência na busca de gestos mais humanos, despertando consciências . Queremos aprender a aproximar e escutar, com Paciência que é afinal a ciência da Paz. E se já podemos contar com amigos de Franca e Bélgica , desejamos muito contar com Portugal, este País que tem na sua génese uma enorme vontade de servir e de ir mais longe. E convidamos a contactarem-nos para juntos formarmos um exército de boa vontade.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Oregon: Alzheimer e as diretivas antecipadas - Fim de vida

Há oito anos, Nora Harris, com 56 anos, tomou conhecimento que tinha a doença de  Alzheimer. Residente no Estado de Oregon nos EUA, onde é autorizado o suicídio assistido em certas condições, ela decidiu redigir, nesse momento inicial da doença, o documento sobre as suas  diretivas antecipadas. Nora Harris expressou o desejo de não ser tomada nenhuma medida para  prolongar a sua vida a partir do momento em ela estivesse incapaz de compreender  a sua vida e de se reconhecer a ela própria. 

Alguns anos mais tarde, ela não  conseguiria alimentar-se a si própria, dependendo da ajuda de alguém para o fazer. O seu  marido, considerando, desde logo, que ela dependia de uma forma de alimentação artificial, dirige-se à justiça para obter a cessação da alimentação da sua mulher, argumentando que se ela estivesse em condições de se expressar, ela não o teria querido.
Em Julho de  2016, o  juiz indeferiu este pedido. Segundo o juiz, as diretivas antecipadas de Nora não podem ser interpretadas como sendo uma oposição a ser alimentada à colher, mas sim apenas em relação à alimentação e hidratação artificiais por sonda. Além disso, o facto de Nora não recusar as colheres que lhe são oferecidas, também leva a pensar que ela consente a ser alimentada desta forma. 
8 de Junho de  2017, o  Senado de Oregon votou uma lei sobre as diretivas antecipadas, a «Bill 494», que permite indiretamente de deixar de alimentar e de dar de beber, mesmo de forma ordinária, pessoas com demência ou com doenças  psiquiátricas. Antes de entrar em vigor, esta lei deverá, no entanto, ser aprovada pela Câmara dos Representantes.
Se este  texto da «Bill 494» for adotado, as diretivas antecipadas que mencionem a recusa da alimentação e hidratação artificiais, poderão ser alargadas a uma alimentação  assistida por uma  terceira  pessoa «à colher». No entanto, ajudar uma pessoa a alimentar-se como uma criança, não é  um tratamento médico, mas sim um  cuidado básico a que todo o doente tem direito até à sua morte. Aguarda-se a decisão da Assembleia.
Leia o artigo no original aqui.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Balanço de 15 anos da lei da eutanásia na Bélgica - As propostas de lei para expandirem o acesso à Eutanásia - parte IV

Desde 2002, mais de vinte propostas de lei foram interpostas no Parlamento, a maioria com o objetivo de expandir a possibilidade de eutanásia a novas categorias de pessoas ou para simplificar o processo legal
As três propostas de lei mais emblemáticas foram interpostas na Câmara dos Representantes pela deputada Onkelinx. Estes textos visam modificar a declaração antecipada, a duração da decisão médica e a cláusula de consciência. 
A primeira proposta visa «suprimir o prazo de validade limitado a 5 anos da declaração antecipada e deixar que o paciente a determine». Atualmente, esta diretiva antecipada (equivalente às diretivas antecipadas francesas, mas centrada no pedido de eutanásia do indivíduo «para o caso de ele não poder manifestar a sua vontade») permite que cidadãos inconscientes possam ser eutanasiados e, isto, a pedido de uma pessoa de confiança que eles tenham referido na sua declaração. 
A segunda proposta pretende reduzir o tempo dado ao médico para utilizar a sua cláusula de consciência: «a decisão de recusa deve ser dada nos sete dias seguintes ao pedido» e «o processo deve ser entregue nos 4 dias seguintes à recusa». Atualmente, a lei prevê que, o médico consultado que se recuse a praticar uma eutanásia informe o paciente «em tempo útil», não existindo um prazo formal para transferir o processo. 
A terceira proposta visa limitar o alcance da cláusula de consciência, para que nenhum estabelecimento possa impedir um médico de realizar eutanásias. Porque aqueles que se poderiam opor à prática da eutanásia no seio da sua estrutura iriam privar «o médico do seu direito subjetivo de consciência».  Sobre esta questão, um processo foi interposto em maio de 2016 contra o Lar Sint Augustinus15, de Diest no Brabante flamengo. Este Lar tinha recusado em 2011 o acesso a um médico que ia praticar uma eutanásia. Depois da queixa da família, o Tribunal de Lovaina condenou o estabelecimento. Uma indemnização de 6000 euros teve de ser entregue aos membros da família pelos danos que tiveram de suportar por serem obrigados a levar a sua mãe para o seu domicílio para que ela pudesse ser eutanasiada.   
Um artigo de Carine Brouchier, Admnistradora de Institute European de Bioethique.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Balanço da lei da eutanásia na Belgica- 15 anos, parte III

A lei sobre os menores de 28 de Fevereiro de 2014

  1. O Senado belga propôs em Novembro de 2013 um projeto de extensão da Lei de 2002, de forma a alargar a eutanásia para os menores sem limite de idade. Este texto vai, deste modo, mais longe que a legislação dos Países Baixos, que autoriza a eutanásia a partir dos 12 anos. Sobre este assunto tão delicado, os debates na Câmara dos Representantes (equivalente à Assembleia nacional na Bélgica) foram pouco profundos, pretendendo os promotores do texto chegar a uma lei muito rapidamente. Os deputados da Câmara adotaram o projeto a 14 de Fevereiro de 2014, e o texto tornou-se na Lei de 28 de Fevereiro de 2014. A Bélgica passou a ser o único país do mundo a autorizar a eutanásia de crianças de qualquer idade, apenas com base na sua capacidade de discernimento, noção particularmente difícil de medir. Para que a eutanásia de um menor possa ser realizada, deverão ser respeitados certos critérios específicos:

• O paciente menor deve ser «dotado da capacidade de discernimento».
• Ele deve encontrar-se «numa situação médica sem solução, de sofrimento físico constante e insuportável que não pode ser atenuado e que levará à morte a curto prazo e que resulta de uma doença acidental ou patológica grave e incurável».
• Ele deve consultar um pedopsiquiatra ou um psicólogo referindo as razões da sua consulta.
• O acordo dos seus representantes legais (normalmente os pais) deve ser dado por escrito.
Apesar dos médicos apoiantes desta extensão da lei preverem que uma dezena de jovens a ela recorreria em cada ano, nenhum pedido de eutanásia de menores foi registado durante mais de dois anos e meio. Um primeiro caso veio a público, no dia 17 de Setembro de 2016, por iniciativa do presidente da Commission de contrôle, o professor Wim Distelmans, que tinha trabalhado muito para fazer votar a lei. 
Desde 2002, mais de vinte propostas de lei foram interpostas no Parlamento, a maioria com o objetivo de expandir a possibilidade de eutanásia a novas categorias de pessoas ou para simplificar o processo legal. 
Um artigo de Carine Brouchier, Administradora do Institute European de Bioethique.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Hoje é o dia dos Avós - dicas como apoiar os que mais precisam

Neste dia dedicado aos avós apresentamos o folheto "10 ideias solidárias" para de forma prática ver como apoiar os avós que mais precisam de ajuda. Por uma cultura mais solidária, por uma cultura pela Vida. Leia o folheto e partilhe com os seus amigos. Os seus avós agradecem a atenção.






terça-feira, 25 de julho de 2017

A lei inicial da eutanásia da Bélgica, de 2002 , por Carine Brouchier ( parte II) )

Pela Lei de 28 de maio de 2002, a prática da eutanásia foi despenalizada em certas condições. O texto exonera de toda a responsabilidade, o médico que «põe intencionalmente fim à vida de uma pessoa a pedido desta», desde que estejam reunidas certas condições de fundo e de procedimento. As principais disposições da Lei (antes da sua extensão aos menores) são as seguintes:
• O paciente deve ser «maior de idade ou menor emancipado, capaz e consciente, como tal apto a exprimir a sua vontade».
• O médico deve verificar que o paciente formulou o seu pedido «de forma voluntária, refletida e repetida e sem pressão externa» 
• O paciente deve encontrar-se «numa situação médica sem solução e num estado de sofrimento físico e psíquico, constante e insuportável, insanável e que resulta de uma doença acidental ou patológica grave e incurável».
• O médico deve consultar um segundo colega para verificar o cumprimento destas condições. Se o paciente não estiver em fase terminal, deverá ser consultado um terceiro médico, psiquiatra ou especialista na patologia em questão, devendo ser respeitado um prazo suplementar de um mês.
• No final da eutanásia, o médico preenche um formulário destinado a verificar a legalidade do ato realizado. Os médicos que não desejem realizar a eutanásia beneficiam de uma cláusula de consciência.
Apenas o médico pode praticar a eutanásia. Os atos ditos «preparatórios como por exemplo, a colocação de uma via, não fazem parte do ato de eutanásia propriamente dito», podendo ser realizados pelos enfermeiros. No entanto, um enfermeiro pode muito bem recusar-se a colocar a via (mais concretamente, nenhuma outra pessoa é obrigada a participar numa eutanásia).
Uma Commission fédérale de contrôle et d’évaluation de l’euthanasie, formada por 16 membros, é responsável pela verificação a posteriori da conformidade de todos os atos de eutanásia praticados na Bélgica. Qualquer médico que realize uma eutanásia deve, com efeito, enviar à Commission, no prazo de quatro dias, um relatório sobre o ato. Se a Commission entender que as condições não foram respeitadas, ela deverá recorrer à justiça. Ela envia um relatório ao Parlamento a cada dois anos. 
Mas o Senado belga propôs em Novembro de 2013 um projeto de extensão da Lei de 2002, de forma a alargar a eutanásia para os menores sem limite de idade. Este texto vai, deste modo, mais longe que a legislação dos Países Baixos, que autoriza a eutanásia a partir dos 12 anos.
Um artigo de Carine Brouchier, Administradora do Institut Européan de Bioétique
brochier@ieb-eib.org

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Eutanásia na Bélgica: balanço de 15 anos de prática ( capitulo I)

O 15º aniversário da Lei de 28 maio de 2002, que legalizou a eutanásia na Bélgica, foi aproveitado pela imprensa belga para fazer um balanço quantitativo deste diploma: entre 2002 e 2016, 14 753 pessoas foram eutanasiadas, segundo os dados oficiais da Commission fédérale de contrôle.
Este número importante suscita várias questões, às quais este texto pretende responder. Qual é a legislação aplicável e quais os debates atuais para estender a aplicação? Quais são os dados estatísticos mais corretos? Quais são os abusos verificados na aplicação da Lei e quais são as reações que estes abusos provocam? A Bélgica despenalizou a eutanásia em 2002 para as pessoas maiores de idade. Em 2014, a lei foi alargada aos menores sem limite de idade. Em 15 anos, o número de eutanásia não deixou de aumentar rapidamente e as propostas de lei multiplicaram-se para facilitar e estender as condições da prática da eutanásia.
De facto, as informações disponíveis revelam vários abusos na interpretação e aplicação da Lei: persistência de muitas eutanásias clandestinas, interpretação cada vez mais ampla dos critérios a respeitar (nomeadamente sobre a noção de «sofrimento físico ou psíquico constante, insuportável e insanável»), papel discutível da Commission fédérale de contrôle, evolução para suicídios assistidos mediáticos, utilização das eutanásias para doações de órgãos, pressões para suprimir a cláusula de consciência, etc. As mentalidades, sobretudo nas regiões holandesas, têm evoluído rapidamente para uma banalização da eutanásia, em nome da autonomia e «da liberdade do indivíduo dispor da sua vida e da sua morte», dentro de uma perspetiva utilitarista anglo-saxónica da existência. A eutanásia é progressivamente entendida como um direito do qual podemos reclamar a sua aplicação para si mesmo ou para pessoas próximas, mesmo que não estejam reunidas claramente as condiçõesComo tal, e, face a estes abusos, uma oposição real começa a fazer-se ouvir. Por exemplo, os profissionais de saúde testemunham os abusos no seu serviço, multiplicam-se os documentários e filmes sobre as condições de eutanásias, os representantes religiosos unem-se para defender a dignidade das pessoas fragilizadas, sem esquecer a atividade das redes sociais que não deixam de informar e de alertar, sobretudo ao nível internacional. 

Ajuda aos Cuidadores: duas iniciativas

Em França, a Lei de adaptação da sociedade ao envelhecimento foi adoptada no final de 2015. Joëlle Huillier, deputada do PS recebeu a missão de estudar o conceito de «rotatividade» ou «ajuda ao repouso». A deputada fez um relatório sobre a ajuda aos cuidadores desde 2015 até este ano.
Este conceito inovador visa apoiar os cuidadores de uma pessoa idosa com perda de autonomia graças à intervenção de profissionais que se alternam. Em França estima-se que 4,3 milhões de pessoas são cuidadores de pessoas idosas. Calcula-se que cerca de 11 milhões são cuidadores familiares, um número que não pára de aumentar. Segundo Joëlle Huillier, para introduzir este conceito, «o quadro regulamentar tem de evoluir, nomeadamente em matéria de tempo de trabalho. Um mínimo de 36 horas de repouso parece indispensável para um apoio eficaz e humano». Já que os turnos são actualmente de 10 a 12 horas. Um novo sistema que poderia ser experimentado também em Portugal.
O Café dos cuidadores organizado por uma Associação
Para apoiar as pessoas que cuidam de uma pessoa próxima em situação de dependência, a Association  française des aidants organiza os  «cafés dos cuidadores» em 79 locais em França. Estes cafés estão abertos a qualquer cuidador, seja qual for a situação da pessoa que acompanham (dependente pela idade, por doença ou por uma deficiência).
Estes espaços de diálogo, animados por um psicólogo e um assistente social, têm por objectivo a partilha evitando o isolamento. A Association Française des Aidants luta pelo reconhecimento e por um lugar dos cuidadores na sociedade.
Os Cafés dos Cuidadores são lugares, tempos e espaços de informação, destinados a todos os cuidadores, qualquer que seja a idade e a patologia do seu próximo.
Estes encontros têm lugar uma vez por mês e são co animados por um assistente social e um psicólogo, e que sejam especialistas na questão dos cuidadores. Em cada encontro é proposta uma temática para permitir a partilha de experiências. O objectivo é oferecer-vos um lugar, para trocar e conhecer outros cuidadores num ambiente de convívio (um café associativo, um bar, um restaurante. A participação no Café dos Cuidadores está reservada aos Cuidadores próximos.
Para saber mais leia aqui.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

A incerteza sobre a proposta de lei 'Morte com Dignidade', pelo partido os ciudadanos, em Espanha

Um grupo interdisciplinar de Médicos e advogados, em Espanha,  Vida Digna - Profissionais pela Ética , escreveram um artigo sobre as perspectivas do debate sobre o "Projeto de Lei de Direitos da dignidade da pessoa antes do processo final de vida" de 16 de Dezembro, 2016, apresentado pelo Grupo Parlamentar do Ciudadanos.
O Congresso espanhol emitiu a luz verde para admitir a lei da "morte digna" proposta pelo partido político espanhol Ciudadanos. Isso suscita algumas grandes questões, uma vez que a nota enviada altera um artigo básico da Lei Espanhola 41/2002 sobre a autonomia do paciente (Lei 41/2002 de Autonomía do Paciente, em espanhol). O projeto de lei exige que a lei artis seja eliminada quando os pacientes declaram o seu desejo se se enquadra em qualquer das condições descritas na Lei 3/2005 de 23 de maio de 2005 (Lei 3/2005, de 23 de maio, em espanhol). A lei artis é exigida nos casos em que profissionais de saúde recomendam certos procedimentos médicos aos pacientes. No entanto, a lei artis não é exigida quando as intervenções médicas são solicitadas pelo paciente. Isso levanta questões importantes relativas à responsabilidade profissional. Outras questões, como os profissionais de saúde que não respondem a problemas que podem surgir quando um paciente solicita que uma dieta saudável e equilibrada seja retirada, considerando que um profissional de saúde pode ter "severamente" violado sua responsabilidade quando as objeções são levantadas pelos desejos solicitados pelo paciente ou membros da família do paciente, prejudicando assim a comunicação médico-paciente, dificultando a entrada profissional e permitindo acções inadequadas. Assim, este projeto de lei toca os aspectos centrais que afectam a profissão médica, a lei e as pessoas mais vulneráveis. Este grupo de profissionais Vida Digna considera que ainda é necessária uma reflexão mais serena sobre este projecto de lei.
Para ler no original clique aqui.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Tertulia "O Homem e a eutanásia", encontro de cidadãos com políticos, com o Filósofo Tiago Amorim

No dia 6 de Julho o STOP eutanásia organizou uma tertúlia para políticos para uma abordagem da eutanásia de forma informal, uma iniciativa cívica para a contribuição de um esclarecimento mais aprofundado dos argumentos que estão em debate.
Tiago Amorim, filósofo, fez uma apresentação sobre " O Homem e a eutanásia" no pub Pavilhão Chinês com a participação dos políticos António Proa, Sofia Galvão, o deputado Ricardo Baptista Leite e alguns convidados para animarem a tertúlia.
"Este debate sobre eutanásia é de interesse de todos os homens. Ontem ouvi uma notícias no TheGuardian sobre o reconhecimento humano dos robots. Algumas coisas que eram tidas como certas, como sabidas, hoje já não são verdades. Hoje temos que fazer um grande esforço para dizer às pessoas que a relva é verde, já dizia George Orwell. A minha área é a Antropológica Filosófica que tenta abordar o máximo de perspectivas possíveis do ser humano, e tento reconhecer as evidências da vida. Julian Mariai, dizia que a primeira coisa para a convivência mesmo por pessoas que não pensam igual é o desejo de chegar a verdade. Se todos estivermos interessados no que sustenta a vida, podemos conviver. Ao falar da vida numa perspectiva do debate da eutanásia em Portugal, como filósofo, eu não discuto fragmentos da questão da eutanásia. Porque ela é um dos aspectos de toda a vida humana. O aborto, a eutanásia a pena de morte, estas três realidades, sendo diferentes, cada uma teve um espaço de debate. E como filósofo eu tento olhar a soma que há na agenda politica fraturante em comum e os pontos de encontro. O primeiro facto é que todas estas realidades versam sobre a vida humana. Se todos somos seres humanos, nestas perspectivas, temos interpretações sobre a vida humana. Há um escritor francês que considera que para D. Quixote de La Mancha a realidade não basta. A vida em algum momento clama por alguma fantasia, e é isso que nos distingue. A experiência da realidade é a mesma para todos nós. Todos em algum momento estamos felizes, sofremos, caminhamos para a morte. Todos somos humanos, e o ser humano precisa interpretar a vida humana. O meu trabalho não é sobre o que nos diferencia, mas o que subsiste nas vertentes universais,  o que faz com que uma coisa do séc. XVII ainda seja um valor no séc. XXI. Estamos a falar da vida humana, natural, universal, que todos vivemos. Se não estivermos atentos, muitas vezes, podemos trocar a realidade pelo discurso.
O último grito de eutanásia é o ultimo gesto da liberdade. Eu posso decidir o meu destino, a minha própria vida. E uso a liberdade para construir um caminho. Este argumento filosófico é usados por muitas pessoas que defendem a eutanásia.
Mas a dignidade da vida humana é uma evidência. Descartes pai do racionalismo teve a pretenção de tentar explicar o mundo, medir a realidade, calcular tudo.  A eutanásia é a consequência do excesso de logística."

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Participe na campanha #AffirmingDignity

Ele acredita em #AffirmingDignity porque toda vida importa! E você por que acredita em 
#AffirmingDignity? Participe da nossa campanha hoje e diga-nos as suas razões para defender a vida
e não a eutanásia.
AffirmingDignity.org